sexta-feira, 29 de junho de 2012

CONFIRMAÇÃO EM (quase) GÊNERO E NÚMERO 


Antes mesmo de aprender a falar meus primos e eu já fazíamos o Nome do Pai. A religião sempre foi uma constante em nossas vidas, tal quais os almoços de domingo em família – que em datas comemorativas eram abençoados por algum padre conhecido. Em janeiro desse ano, no entanto, surge um desconhecido.
Visivelmente atrapalhado ao falar, ele causou crises de risos. Mas além de perceber nosso comportamento indesejável, o padre implicou com minha movimentação ao fotografar a missa em alusão às bodas de casamento dos meus avós. Sem me importar com seu desconforto prossegui.
E sem imaginar o poder de sua reza continuei a fazer meu trabalho e atrapalhar o dele. Ao final da missa, veio o resultado.
E a benção final foi direcionada naquele instante (só pode).
“Se preparem que nesse ano chegará uma menininha à família”, proclamou ao olhar pra mim.

(Nascimento anunciado, profecia correta em número; resta confirmar o gênero; mas isso fica pra próxima consulta, semana que vem).


Mariana Piacentini
29/06/2012



segunda-feira, 25 de junho de 2012


MARATONA (DES)REGULADA




Atrasar-se porque dormiu muito não serve mais como desculpa pra muitas coisas. Na gestação então, a justificativa – que é verídica – já soa como malandragem devido a sua frequência. E se pro chefe o argumento não cai bem, quem dirá ao médico que exige disciplina sempre.

A exemplo da caminhada de 1 hora todos os dias; recomendações essas sem ao menos considerar o meu estado de sonolência, quase que permanente.

Aliás, para mim, as grávidas deveriam ter botões específicos: um pro sono, outro pro xixi e pra fome. Situações essas quase que incontroláveis e que ao mesmo tempo determinam a qualidade da gestação e as idas ao médico.

E eu que sonhava em comer tudo quando engravidasse, agora tenho que ouvir os gritos da minha consciência!

Eis a maratona diária na vida de uma gestante: controlar a vontade dela e da criança que já acha que manda...

...(espera ela nascer pra ver só)

 Mariana Piacentini
25/06/2012

sábado, 23 de junho de 2012

NOME INDEFINIDO

            A maioria da mães ficam ansiosas em saber o sexo da criança para iniciar as mudanças em suas vidas. Muito além da nova decoração do quarto e do enxoval do bebê elas querem definir o nome da prole. Mal sabem elas que antes do registro oficial a criança terá diversos nomes: mais precisamente, uma a cada nova fase.

            No meu caso, a primeira identidade já tinha nome e sobrenome: Acidente de Percurso. Na sequência, ao rever os faros, passou a ser descrito como Vontade Divina; e ao ver o primeiro ultrassom passou a Pontinho Brilhante.

            Mas antes disso, ele já foi Zigoto, assim que fertilizado; Embrião, quando meu corpo passou a preparar-se para seu desenvolvimento; e com o começo da formação óssea, passou a ser chamado tecnicamente de Feto. E lá se vão seis nomes em aproximadamente dois meses de gestação.

Agora com o novo exame de ultrassonografia, começo a batalha para a escolha oficial, resta apenas saber se é menino ou menina...


Mariana Piacentini
23/06/2012 



quarta-feira, 20 de junho de 2012

MARIA PASSE NA FRENTE


Antes de dar publicidade de novas divagações '(mãe)rianísticas', peço a intercessão de Maria, para que passe na frente e resolva todos os meus impossíveis e daqueles que acompanham esse espaço.




DESPERTAR DA MADRUGADA

Depois do xixi costumeiro (e olha que hoje esvaziei o organismo), teitei – sem sucesso – retomar o sono. Mediante tanta mudança de posição na cama e nas ideias (dessa vez resisti à hipnose da geladeira) e optei em canalizar as energias com divagações ‘madrugais’.
Meio a preguiça de levantar em busca do sinal da internet improvisei novamente (já estou acostumada a usar o celular como confidente) e ‘teci’ o verbo... foram colchas e colchas..

Eis que surge a dúvida: será esse canal da vontade de comer (que está voltando)?

Melhor mesmo é desligar.

Mariana Piacentini 20/06/2012



terça-feira, 19 de junho de 2012


(SOBRE)VIVENDO NA GRAVIDEZ

Os profissionais não percebem muitas vezes o abismo entre o receituário médico e a realidade para a sua aplicação. E muito me admira as pacientes aceitarem as indicações sem questionarem nada.

Será mesmo que exagero nas perguntas? Ou sou a única ciente das minhas condições? (Ou será ainda, a única sem condições?). Afinal, que mulher faria top less em uma cidade pequena?

Ou ele acha que vou fazer a minha caminhada vestindo uma camiseta com dois furinhos só para atender a prescrição médica de bronzear os bicos dos seios? (Quero ver as minhas amigas continuarem a me convidar para dar uma volta no Parque Central...ah quero...)

...E eu que achava que com o término dos enjoos o pior já tinha passado....




Mariana Piacentini
19/06/2012

sábado, 16 de junho de 2012

Uma 'promessa de vida no (meu) coração'

A musicalidade é algo que não existia em mim, até a descoberta de uma 'PROMESSA DE VIDA NO (MEU) CORAÇÃO', como diz a música 'Águas de Março' de Tom Jobim (muito mais emocionante quando cantada com Elis Regina, é claro!). Canção essa que já adorava antes da gestação e que agora passou a embalar o meu pontinho brilhante, que sinto estar em sintonia cada vez que a escuto.



"É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumueira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra, fim, caminho
Resto, toco, pouco, sozinho
Caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração".

 

sexta-feira, 15 de junho de 2012


AINDA NENÉM

Mau encontro alguém e antes do já de praxe ‘oi, tudo bem’ ou ‘será que chove vizinha?’ a pergunta é sempre a mesma: descobriu o sexo? A resposta está na ponta da língua, mas dependendo a pessoa, eu mordo. Outras, já não passo vontade de matar.

Oras bolas, isso é lá coisa que se pergunte assim?
Não contei nem aos meus pais quando tive meu primeiro namorado, agora vou comentar sobre a minha intimidade? 


Cá entre nós, algumas pessoas são realmente a-b-u-s-a-d-a-s!
E ainda a culpa recai sobre mim que levo a fama de grossa!

Rummm... ‘se descobri o sexo’...

A próxima que vier de gracinha, fazendo cara de ‘gato de botas do Shrek’ vai ouvir:
- Não! Comi sementes de melancia e uma brotou!




Mariana Piacentini
15/06/2012


(MÃE)riana
Diário de primeira viagem
  

Três meses se passaram...Mas ainda estou na fase em que conhecidos me olham sem saber se estou gorda ou grávida. E pela falta de intimidade nada questionam. Outros, sabendo do meu grau de delicadeza, fazem a escolha certa: preferem a dúvida.

Eu, no entanto, que detesto desconfiar, tenho deixado meu ginecologista louco! A cada consulta puxo logo a listinha de questionamentos para confirmar - e me informar - sobre a nova condição.

Tudo bem, ás vezes sou curiosa por demais, mas issos são resquícios da profissão. Afinal, perguntas exigem respostas.

Adepta aos modismos modestos, até pouco tempo usava o codinome de (MA)riana, elucidando a minha personalidade forte, hoje, no entanto limito a definição para algo amplo, paradoxalmente falando; e assumo com orgulho o meu papel eterno de (Mãe)riana.  

Mariana Piacentini
14/06/2012



Foto: Primeiro ultrassom, meu pontinho brilhante estava com dois meses de vida